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Como interrupção no fornecimento de diesel dos EUA pode afetar transportadoras na B3?

Os Estados Unidos estão finalizando um plano para proibir as exportações de diesel por 90 dias, apesar das divergências que a iniciativa suscita no setor petrolífero e dentro do próprio governo, segundo informou nesta quarta-feira (23) o “Politico”.

Mesmo com condição privilegiada como exportador de petróleo, o Brasil depende de importações de combustíveis refinados, o que faz com que a notícia seja preocupante para alguns setores.

O risco para o mercado brasileiro seria justamente proporcional à dependência do diesel importado, em um momento de temporada de plantio de soja. O combustível que é usado no país é majoritariamente proveniente dos EUA, já que importações russas foram suspensas após o conflito do país com a Ucrânia. Para o JPMorgan, as distribuidoras de combustíveis seriam mais impactadas que a Petrobras, em especial em relação aos volumes.

Além do setor de distribuição, para empresas ligadas ao transporte o impacto é visto como limitado para o Bradesco BBI. Em relatório sobre o tema, o banco pontuou que a possibilidade ainda está em discussão e que não é uma medida concreta, o que por si só já reduz o risco imediato e abre possibilidades para negociações.

O impacto para as companhias que compõe o setor de transportes é variado, considerando atividade e potencial de repasse dentro de contratos, mas majoritariamente reduzido, de acordo com os analistas.

Para a Rumo (RAIL3), o impacto esperado pelo banco no lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) é limitado no curto prazo. Os analistas explicam que há grande parcela já contratada até o fim do ano e, nesse caso, os custos de diesel já são repassados diretamente nos contratos firmados.

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Ainda assim, se a situação perdurar, poderia levar ao aumento de fretes rodoviários. Essa dinâmica tem potencial de ampliar a competitividade da alternativa logística da Rumo, que tem pouca parcela de combustível no custo total de operação de rotas.

“Além disso, o transporte rodoviário representa cerca de 50% da extensão total da rota concorrente Sorriso-Miritituba-Barcarena, contra aproximadamente 25% na rota Sorriso-Rondonópolis-Santos. Ressaltamos ainda que subsídios governamentais podem mitigar os impactos sobre os preços efetivos do diesel”, explicam. A Rumo é recomendada como outperform, com preço-alvo de R$ 18.

Para a JSL (JSLG3), a capacidade de renegociações, como mostradas em março e abril com pico dos preços de diesel, demonstram potencial de redução de impacto sobre as margens. No curto prazo, é possível que a volatilidade de custos pressione a companhia.

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Outra companhia do grupo Simpar (SIMH3), a Vamos (VAMO3) tem risco associado ao diesel relegado para clientes. A alta dos preços observada em março e abril deste ano, de cerca de 22%, não provocaram retomada de veículos.

Os analistas ainda afirmam que o contrário aconteceu, com retomadas caindo de R$ 220 milhões por trimestre para R$ 189 milhões. Portanto, o indicador não seria penalizado com uma nova alta de preços, mas as provisões para inadimplência podem aumentar.

Para locadoras de máquinas pesadas, o custo de combustível também é repassado para clientes. O risco, nesse caso, mora em situações com expressivos aumentos de preço ou escassez, que prejudiquem operações de contratantes.

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“Em um cenário de escassez, acreditamos que poderia haver aumento das provisões para inadimplência, além de impactos negativos sobre as receitas do segmento de seminovos”, diz o BBI.

Por fim, para locadoras de veículos, o impacto seria limitado pela participação pequena de veículos leves movidos a diesel. Ainda assim, uma eventual escassez poderia prejudicar a logística da produção de veículos no Brasil e o transporte para distribuidores.

Nesse cenário, as margens de montadoras poderiam ser pressionadas. A consequência mais direta para locadoras seria a redução potencial de descontos nos preços de carros novos. Mas, por outro lado, a sustentação de valores para veículos usados é interessante para o segmento.

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